"Quando pergunto você-compreende-tudo-isso não estou subestimando você. Ah, deus, perdoe. Não sinto agressividade nenhuma em relação a você. E gosto das tuas histórias. E gosto da tua pessoa. Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, soma-las, diminui-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."
[Caio F. Abreu]
É verdade. Gosto. E depois de todo esse tempo, posso afirmar com categoria: gosto MESMO. Sinto falta, mas é falta da pessoa, entende? Não da relação. Sinto falta das mínimas coisas. Das conversas, dos carinhos, da conchinha, do futebol, dos devaneios, da companhia pra cerveja, pro Cafeína, pros almoços de dia de domingo. Das coisas boas, de todas elas. E quero começar essa carta assim, porque é isso que prevalece depois de 'decodificar todas as emoções e somá-las e diminuí-las e tirar a tal síntese'. E queria, ainda nesse parágrafo, acrescentar que tudo o que eu vou dizer abaixo não é pra te ferir. É pra ser honesta comigo, com vc, com a gente. Te digo somente porque te amo. Acredite. Não há nenhuma emoção raivosa por trás. Nenhuma aspereza.
Já falando sobre raiva, frieza e aspereza, eu sinto muito por achar que vc realmente não me conhece. E eu tentei tanto. Tentei tanto me mostrar, ensinar a me decodificar... e eu sei que não é nada fácil, mas quem me conhece de verdade sabe que quando eu falo pouco não é por nenhuma das razões que vc julga que exista por trás. Eu falei pouco na sua mensagem de aniversário, mas falei do coração. Te desejo toda a felicidade do mundo. Mas não me peça pra ficar te lambendo só porque é seu aniversário. Eu não farei isso por ninguém que se afaste de mim por livre e espontânea vontade. E isso não tem a ver c om frieza, com sentir de menos. Ao contrário, tem a ver com sentir demais. Achei que vc soubesse.
Durante esse tempo em que estivemos juntos vc me ajudou muito. Acho que por muitas vezes eu tentei te afastar com os gestos mais agressivos e com as palavras mais cruéis, tentando me sabotar porque eu simplesmente não podia me deixar apaixonar de novo. eu não podia passar por aquilo tudo de novo. Mas eu me afastei do problema. Consegui ver de fora. Consegui sentir que aquilo tudo que vc falava só podia ser verdade, que a gente estava mesmo destinado a ficar junto e que se vc tinha aguentado tudo aquilo até aquele ponto, só podia dar certo. E pronto. A partir daí eu acreditei na gente. E tentei me mostrar, me doar, me dedicar... E aí alguma coisa aconteceu. Comecei aachar que a coisa toda começou a ficar meio unilateral. Não quero ser injusta nem nada, mas eu comecei a sentir que vc parou de me escutar, de me entender, de se importar. E eu digo isso apesar de todas as demonstrações em contrário. Sabe?! Porque eu disse que não chorava por dor física e vc veio depois dizer que o que eu tinha falado era que eu não sentia dor física. Poque vc me chamou de egoísta, de fria, de áspera, de tanta coisa que vc quis me rotular e eu ficava pensando o que eu tinha feito pra passar uma imagem tão distorcida de mim mesma pra vc. Mas eu entendi agora. A dificuldade não é minha. É sua. É vc quem tem que trabalhar nela, não eu. E quando a gente viajou pro Mochilão, lembra?! Vc sentou comigo todo ansioso pra dizer que a viagem era nossa, que não seria como o meu mochilão. Que ficaríamos em quarto de casal, sem essa de dividir porra nenhuma. E também faríamos nossos próprios programas, sem ter que ficar puxando assunto com desconhecidos pra arrumar coisa pra fazer. Ok, eu topei. Mas foi só vc se sentir seguro falando espanhol e vendo que só tinha brasileiro que ficou lambendo todo mundo que passava. Ria de piadas escrotas, me largava pra conversar com as pessoas.. e eu hahaha achando que ia ser uma viagem de casal. Não! Era medo! Quando o medo passou, que-se-foda-vc! Eu chamei sua atenção e vc concordou e até melhorou, passou a ficar mais comigo. Mas eu vejo que na sua vida, essa característica permanece. Até porque vc deixou de ir no niver do seu melhor amigo pra sair com gente que caga na sua cabeça. E quando eu digo que caga, é porque caga mesmo. No show do Radiohead, por exemplo, ninguém fez questão alguma de ficar perto de vc, de puxar assunto. Muito pelo contrário. Foi vc quem ficou correndo atrás deles, me apressando pra voltar pra perto deles, inventando uma suposta cara estranha que eu fiz reclamando de não sei o que... quando tudo o que eu fiz foi correr com vc pra perto daquelas pessoas que não estavam nem aih pra sua presença.
E o sexo então?! Eu passei tanto tempo achando que eu era frígida, que eu tinha algum problema... e sabe qual era o meu problema? Eu não me sentia cuidada. Eu quero ser seduzida, como toda MULHER. E ser seduzida não tem a ver com sexo romântico como vc achava. Segundo vc, o que vc queria era sexo selvagem e essas duas coisas não combinavam. Sabe o que eu queria?! Que vc me seduzisse a ponto de eu não aguentar mais e pular em cima de vc. Era isso. Que vc me deixasse louca de vontade. E sabe? isso não se faz enfiando o dedo na minha xoxota. Nem apertando meus peitos. E eu soube mais tarde diferenciar as coisas. Nunca achei vc um cara imaturo. Não, vc não era um moleque. Mas era muito inexperiente e péssimo aluno por ser tão teimoso. Aluno sim, porque o ideal era que um aprendesse com o outro. Mas o que eu falava era sempre imediatamente rebatido. Vc distorcia tudo, fazia questão de não entender o que eu tava falando [eu sei que era por teimosia, pq vc não é nem um pouco burro] e a gente sempre acabava brigando. Cansei de falar. Cansei de tentar. Não queria mais aquilo. Eu tentei tanto explica e vc nunca entendeu! Como é que podia ser assim!? E vc cismou que era por causa do namoro [e deus sabe que quando vc cisma com alguma coisa, sai de baixo], que eu tinha problemas com o rótulo. Não! Eu tinha problemas com vc! Com a forma de vc me tratar. Era isso! Graças a Deus! E eu só puder ver isso longe do teu dedo em riste.
[ainda tem mais, mas to sem paciência]